Ministro Mandetta diz que o brasileiro não sabe se escuta ele ou Bolsonaro

Ministro Mandetta diz que o brasileiro não sabe se escuta ele ou Bolsonaro

Em entrevista neste domingo (12), ao programa Fantástico da TV Globo, o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta falou sobre a crise desencadeada no governo a partir da pandemia do novo coronavírus e disse, entre outras coisas que o brasileiro não sabe se acredita no ministro ou no presidente.

Na entrevista concedida ao jornalista Murilo Salviano, Mandetta falou sobre os meses que virão, o que projeta e qual a relação com o presidente Jair Bolsonaro.

Na conversa, que pode ser ouvida abaixo, Mandetta afirma que os números da doença estão subestimados. Segundo ele, os meses de maio e junho serão os mais duros das cidades e que o país não pode ser comparado com países de território pequeno: “A gente imagina que os meses de maio e junho serão os sessenta dias mais duros para as cidades. A gente tem diferentes realidades. O Brasil a gente não pode comparar com um país pequeno, como é a Espanha, como é a Itália, a Grécia, Macedônia e até a Inglaterra. Nós somos o próprio continente.” – afirmou.

Quando questionado sobre o número de casos de coronavírus que são estimados para o Brasil neste ano, Mandetta disse que o valor muda de acordo com as ações do governo.

Mandetta disse também que não existe capacidade de se fazer uma testagem de 200 milhões de habitantes. Segundo ele, os testes vão ser feitos prioritariamente naqueles que “a gente mais precisa que voltem ao trabalho”. Para o ministro, se o médico ou enfermeiro se contaminou e já possui anticorpos, eles trabalham “com muito mais tranquilidade e a gente sabe que não vai mais adoecer daquela doença”.

Luiz Henrique Mandetta afirmou ao repórter que “não tem receita de bolo, o que tem é: o Ministério da Saúde agrupar isso, e ir mostrando e dizer “tomem cuidado aqueles que estão no nível mais alto de transmissão”. Aí, cada governador, cada prefeito sabe o que está fazendo”.

Mandetta disse também que a relação dele com o presidente Jair Bolsonaro preocupa. Segundo o ministro “isso ocorre porque a população olha e fala: mas será que o ministro é contra o presidente? Não há ninguém contra nem a favor de nada. O nosso inimigo, o nosso adversário, o nosso problema é o coronavírus. Esse é o nosso adversário, inimigo” – disse e a seguir completou: “o presidente olha muito também pelo lado da economia. E chama muito a atenção o lado da economia. O Ministério da Saúde entende a economia, entende a cultura e educação, mas chama pelo lado de equilíbrio de proteção à vida. Eu espero que essa validação dos diferentes modelos de enfrentamento dessa situação possa ser comum e que a gente possa ter uma fala única, unificada. Por que isso leva para o brasileiro uma dubiedade: ele não sabe se escuta o ministro da Saúde, se ele escuta o presidente, quem é que ele escuta” – finalizou.

Ao término da conversa o ministro ainda afirmou que não é possível dizer que uma pessoa está fazendo certo ou errado e sim afirmar que está mostrando o caminho que deve ser seguido para evitar o contágio em massa da doença.

Ouça a íntegra da entrevista:

Fonte: TV Globo

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